Roupas que contam histórias

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Um dos maiores aprendizados que tive com o minimalismo foi a maneira como me relaciono com as coisas materiais. Antes de descobrir esse estilo de vida, as coisas eram apenas coisas. Do vestido novo que comprava para uma festa até a escova de dente que preciva trocar, tudo não passava de meras coisas materiais. Hoje, cada coisinha que possuo tem um valor para mim, representa alguma fase da vida, carrega uma memória, traduz um desejo ou até mesmo um sonho. Essa mudança de perspectiva fez toda a diferença para me ajudar a simplificar a vida e entender mais sobre mim mesma.

A inspiração para escrever este post surgiu de um trabalho do college onde a gente tinha que levar para a aula um jeans vintage. Vintage mesmo, daqueles de pedir pros pais a calça jeans da adolescência deles, sabe? Como meus pais não estão aqui no Canadá comigo, recorri à Fátima, pessoa querida que me acolheu logo que cheguei aqui. Ela me emprestou 3 jaquetas maravilhosas de 20 anos atrás e uma saia de patchwork muito fofa que deu vontade de sair usando no mesmo dia.

E analisando essas peças para a aula, eu me peguei pensando: “nossa, e se todas as roupas que a gente tem no guarda-roupa contassem uma história? E se cada uma delas fosse assim, simplesmente especiais?” Não ia ser um máximo? Pensa só se daqui há 20 anos você ainda tiver aquela sua jaqueta jeans preferida para emprestar para sua filha? Ou aquela primeira camisa de botão que você usou no primeiro dia do trabalho que você tanto queria? Ai, fico arrepiada só de pensar nisso, juro!

Eu acredito que parte dessa história toda tem a ver com a gente voltar a pensar nas coisas como nossas avós pensavam. Elas juntavam aquele dinheirinho suado para comprar uma peça super especial e de qualidade, com a ideia de ter aquela peça pro resto da vida e quem sabe até dividir com as netas no futuro. Sabe quem me fez pensar primeiro nisso? Betty Halbreich, quando li seu livro Um Brinde a Isso (por sinal, maravilhoso!). Ela conta um pouco da história dela no meio fashion e muitos dos levantamentos que ela faz tem a ver com isso, pensar nas nossas roupas como peças especiais que contam histórias e merecem ser cuidadas para durar o maior tempo possível. Outro livro que me fez pensar assim foi o da Leandra Medine, o Man Repeller. Lá ela conta a história dela a partir das peças especiais que ela tem no guarda-roupa, muito divertido. Me deixou com vontade de abrir o armário e ver o que eu tinha que marcou minha vida de alguma maneira.

A mensagem que quero deixar por aqui é essa: experimenta abrir o seu guarda-roupa e procurar todas as roupas (acessórios também contam!) que te dizem algo, carregam uma memória, que você não vive sem e que você adoraria deixar para alguém especial quando chegar a hora. Agora olha tudo o que restou e se pergunte se você realmente quer manter essas peças que não tem valor nenhum pra você.

Esse é um exercício poderoso de autoconhecimento e que pode lhe render muitos sorrisos e lágrimas de felicidade. Vale a pena tentar em casa! Mas promete que você volta aqui depois pra me contar da experiência? Vou adorar saber 🙂

 

4 Comment

  1. oi Luiza, adoro seu canal, tenho um vestido dos meus 6 anos, que não cabemais em mim rsrs, mas também tenho uma blusa de 2002, comprei na epoca da escola porque precisavamos ir com roupa que tivesse estampa do brasil na época da copa, foi bem baratinha, dessas que a gente compra na feira mesmo, mas até hoje ta quase nova, descosturou a barra, mas é só dar uma costuradinha, uso normal em casa.

    1. Que legal Michelle, obrigada por compartilhar! 🙂

  2. Oi Lu!!
    Vi seu vídeo ainda há pouco e de lá, passei p este post. Acredita q tenho um vestidinho que foi do meu batizado? Tudo de melhor p vc aí. Bj

    1. Que legal Ana, que delícia ter essas peças com tanta memória boa né? Beijos

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