Não compro mais em fast fashion

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Já vinha pensando nisso há um tempo, mas confesso que tinha medo. Nunca mais comprar em fast fashion parecia algo muito definitivo. E se eu falhasse? Mas foram duas situações que aconteceram comigo que me fizeram tomar a coragem que faltava e bater o martelo: fast fashion, nunca mais!

Qualidade em primeiro lugar

Eu já estou cansada de saber que roupas de fast fashion não são roupas feitas para durar. Para que essas grandes cadeias de moda alcancem preços tão baixos é preciso economizar na matéria-prima e no acabamento (e também nas condições de trabalho e salário das pessoas que estão produzindo tudo isso, vale lembrar!) que acabam reduzindo bastante a qualidade desses items.

Também já estou cansada de saber que o barato muitas vezes sai caro. Aprendi desde cedo com a minha mãe que comprar barato geralmente resulta em ter que comprar de novo, e de novo, e de novo para substituir o que estragou, e isso sai muito mais caro do que comprar apenas uma vez algo que vai durar muito tempo. Mas faltava alguma coisa para dar o grande passo.

Na minha jornada para um armário mais minimalista e consciente, aprendi que comprar com propósito tem um grande impacto. Pensar antes de comprar, analisar as combinações que tem no armário, ler a etiqueta, concordar que combina com seu estilo pessoal e de vida e se apaixonar pelo item, são ações que nos levam a construir um armário sustentável, e isso era suficiente para mim, até hoje.

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Há algumas semana atrás usei pela primeira vez uma parka que comprei no ano passado (só consegui usar por agora que o tempo ficou menos frio aqui em Toronto) e adivinha? O botão em cima do ombro rasgou, deixando um buraco no casaco – na primeira vez que usei! Eu pensei: isso que dá comprar porcaria. A parka é da Zara, e essa foi a primeira situação que me fez abrir os olhos para os problemas que vão além de simplesmente comprar o que você ama e vai usar muito.

Responsabilidade de quem cria e consome

A segunda situação foi uma conversa que tive com uma senhora que conheci na conferência WEAR aqui em Toronto, no fim do ano passado. Ela estava contando que, mesmo que essas grandes marcas de fast fashion estejam se movimentando e criando programas de consciência ambiental para se tornarem mais “sustentáveis”, nós consumidores não podemos nos deixar enganar porque no fim das contas, o propósito delas e a concorrência pelo preço mais baixo continuam o mesmo. 

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Ela usou como exemplo a marca H&M que vem promovendo programas como o de coleta e reciclagem de roupas e vem criando coleções com algodão orgânico. E olha que engraçado, acabei de colocar H&M no google para compartilhar o link do programa com vocês e reparei que a marca tem uma nova tagline que diz assim: “H&M – offers fashion and quality at the best price” que traduzindo para o português seria “oferecendo moda e qualidade com o melhor preço”. 

A conversa aqui passa a ser, o quão transparente essas marcas devem se tornar para que possamos realmente confiar e acreditar que essa visão sustentável é o que guia a produção de moda delas? E o quão possível é alinhar menor preço e qualidade com essa quantidade enorme de roupas que são produzidas por elas?

Para mim, qualidade e quantidade são fatores inversamente proporcionais, ou seja, quando um aumenta, naturalmente o outro diminui. Por isso, para mim não faz mais sentido apoiar marcas fast fashion. Enquanto elas estiverem concorrendo pelo menor preço e maior quantidade de vendas, o meio ambiente e as pessoas por trás da produção de moda continuarão sofrendo as consequências dessa matemática fast fashion.

É hora de mudar!

Chegou a minha hora de dar o próximo passo. Cansei de comprar roupa que o botão cai, a costura abre e a cor desbota. Chega de arrumar desculpas para comprar em fast fashion, mesmo sabendo que amei o item e vou usar muito – não adianta, essa roupa nem durar vai! Não quero mais apoiar marcas que prezam o menor preço e não são transparentes sobre sua produção. Quero apoiar marcas que conhecem e visitam as fábricas, que prezam por tecidos de qualidade e que não prejudicam o meio-ambiente, e que tem a sustentabilidade enraizada no DNA desde sua criação.

E se você está lendo isso e está batendo aquele desespero sem saber como um dia vai conseguir viver sem comprar em fast fashion, calma! Cada um tem a sua jornada e o seu tempo. Não precisa apressar nada. Faça as melhores escolhas dentro do que você pode. Um passo de cada vez.

One Reply to “Não compro mais em fast fashion”

  1. Oi Luiza, tudo bem?
    Amei suas colocações e estou pensando da mesma forma. Prefiro ter poucas roupas, mas roupas de qualidade.
    Muito prazer em conhecer seu vídeos.
    Abraços

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